As pesquisas feitas em nosso país para conhecer os hábitos da população juvenis com relação às drogas, indicam que um numero considerável de adolescentes e jovens tem tido contato com drogas. Os usuários nesta faixa se relacionam com consumos ocasionais, associados a contextos lúdicos, concentrados no fim de semana, realizados em grupos e em lugares públicos, notamos que cada vez mais, com maior intensidade, aparecem vários problemas pessoais, familiares e sociais vinculados a este tipo de pratica.
A associação entre drogas e diversão, que progressivamente tem si afirmado entre vários seguimentos juvenis, tem levado a que o uso de certas drogas (principalmente o álcool) se tenha convertido numa referencia obrigatória da cultura juvenil, num componente essencial de seu ócio ou tempo livre. O consumo de álcool e outras drogas têm se configurado como uma atividade fundamental no ócio de nossos jovens, particularmente nos fins de semana. Assim que, o consumo de drogas "recreativas" passou a converter-se num elemento chave da diversão junto com a música, a festa e a companhia de outros jovens. Assim que, o consumo de drogas com fins recreativos está se convertendo num ato cotidiano, aceito socialmente, e considerado como mais uma atividade de ócio (processo de normalização social do uso de drogas com fins recreativos).
sábado, 2 de outubro de 2010
O MUNDO DAS DROGAS
No mundo do uso e abuso das drogas, as palavras chaves são "mudanças dramáticas", quando alguém olha o padrão dos últimos anos. Antes, os padrões eram relativamente constantes e previsíveis. As drogas "ilegais" se limitavam a determinadas minorias raciais, étnicas e filosóficas. Com freqüência, estas estavam submersas dentro dos guetos urbanos. A maioria da classe media se confinava a drogas tradicionais alteradoras da disposição ou psicotrópicas, tais como cigarros, álcool e certos fármacos receitados. Entretanto, os padrões contemporâneos do abuso de drogas mudaram tão dramaticamente e se estenderam tanto que, na atualidade, o único que podemos prognosticar com segurança referente à cena dos fármacos é que continuará mudando para pior.
A perspectiva da sociedade concernente ao abuso das drogas também deve mudar. Já não é aceitável catalogar as substancias suavemente psicoativas tais como o álcool e a nicotina como "não drogas"., e insistir que o abuso de drogas acontece unicamente na cultura juvenil. O usuário individual das drogas passou a ser visto por muita gente através de uma mistura de educação deficiente e confiança puritana sempre presente na justiça, a ordem e o castigo para regular a moral, como um criminoso e não como um paciente. Esta atitude afasta cada vez mais os jovens que ingressam na cultura das drogas.
No mundo das drogas, apesar da grande variedade, poucos usuários utilizam todas e inclusive aqueles que as provam, com o tempo a tendência é a de especializar-se em uma ou duas classes de drogas. Por que? A resposta mais simples é: "ninguém sabe". A mais complexa é que a disponibilidade, o apoio social (ou a falta dele) e os complicados processos biológicos e psicológicos influenciam na " seleção da droga".
Existe três termos que freqüentemente são utilizados e que devemos definir. A "dependência", que se refere às complexas adaptações biológicas ao uso prolongado das drogas, que se manifestam como a ansiedade do usuário por continuar usando-a. Também descreve a conduta de consumir continuamente a droga. Finalmente, a dependência implica na dor da abstinência que o usuário experimenta quando tenta deixar de usá-la.
O termo dependência tem substituído ao de adição que, geralmente, se aplicava unicamente à dependência de drogas opiáceas como a heroína. Assim sendo, um usuário regular de maconha que tem dificuldade para deixar o seu uso, é dependente da droga. Quando tenta fazê-lo, sente uma necessidade maior de usá-la. Se não o faz, se sente mal, agressivo, com insônia (sintomas de abstinência).
Os sintomas precisos de abstinência diferem com o tipo de drogas; enquanto que os sintomas são influenciados pela dose de droga utilizada, a freqüência e duração de tal uso, e pelas características individuais do usuário, o padrão geral de tais sintomas é comum a todas as drogas de nossa classificação.
"Tolerância" a uma droga significa que quanto mais quantidade se tome, menos efeitos se logram a cada dose. Isso porque com o tempo o corpo se adapta à presença da droga, o usuário de grandes doses deve tomar mais e mais para lograr o efeito desejado. Isto se vê claramente com o álcool, onde o usuário habitual sente um efeito muito leve ou quase nenhum com uma cerveja, porém o usuário primário obterá um efeito relativamente forte ao beber a mesma quantidade.
Estas três palavras, dependência, abstinência e tolerância, são importantes para entender a experiência das drogas.
A razão pela qual os usuários de drogas se tornam dependentes de uma droga em particular é uma pergunta interessante e que ainda não tem resposta. Em nossa experiência, responder a esta pergunta não ajudará ao usuário, nem aos preocupados membros de sua família ou a seus terapeutas.
A perspectiva da sociedade concernente ao abuso das drogas também deve mudar. Já não é aceitável catalogar as substancias suavemente psicoativas tais como o álcool e a nicotina como "não drogas"., e insistir que o abuso de drogas acontece unicamente na cultura juvenil. O usuário individual das drogas passou a ser visto por muita gente através de uma mistura de educação deficiente e confiança puritana sempre presente na justiça, a ordem e o castigo para regular a moral, como um criminoso e não como um paciente. Esta atitude afasta cada vez mais os jovens que ingressam na cultura das drogas.
No mundo das drogas, apesar da grande variedade, poucos usuários utilizam todas e inclusive aqueles que as provam, com o tempo a tendência é a de especializar-se em uma ou duas classes de drogas. Por que? A resposta mais simples é: "ninguém sabe". A mais complexa é que a disponibilidade, o apoio social (ou a falta dele) e os complicados processos biológicos e psicológicos influenciam na " seleção da droga".
Existe três termos que freqüentemente são utilizados e que devemos definir. A "dependência", que se refere às complexas adaptações biológicas ao uso prolongado das drogas, que se manifestam como a ansiedade do usuário por continuar usando-a. Também descreve a conduta de consumir continuamente a droga. Finalmente, a dependência implica na dor da abstinência que o usuário experimenta quando tenta deixar de usá-la.
O termo dependência tem substituído ao de adição que, geralmente, se aplicava unicamente à dependência de drogas opiáceas como a heroína. Assim sendo, um usuário regular de maconha que tem dificuldade para deixar o seu uso, é dependente da droga. Quando tenta fazê-lo, sente uma necessidade maior de usá-la. Se não o faz, se sente mal, agressivo, com insônia (sintomas de abstinência).
Os sintomas precisos de abstinência diferem com o tipo de drogas; enquanto que os sintomas são influenciados pela dose de droga utilizada, a freqüência e duração de tal uso, e pelas características individuais do usuário, o padrão geral de tais sintomas é comum a todas as drogas de nossa classificação.
"Tolerância" a uma droga significa que quanto mais quantidade se tome, menos efeitos se logram a cada dose. Isso porque com o tempo o corpo se adapta à presença da droga, o usuário de grandes doses deve tomar mais e mais para lograr o efeito desejado. Isto se vê claramente com o álcool, onde o usuário habitual sente um efeito muito leve ou quase nenhum com uma cerveja, porém o usuário primário obterá um efeito relativamente forte ao beber a mesma quantidade.
Estas três palavras, dependência, abstinência e tolerância, são importantes para entender a experiência das drogas.
A razão pela qual os usuários de drogas se tornam dependentes de uma droga em particular é uma pergunta interessante e que ainda não tem resposta. Em nossa experiência, responder a esta pergunta não ajudará ao usuário, nem aos preocupados membros de sua família ou a seus terapeutas.
RESUMO.
Podemos dizer que um dos aspectos positivos da prevenção é o fato de que você certamente já tenha começado esse processo. Como Pai, você passa mais tempo para escutar, mostrar interesse e estar perto de seus filhos. Quando você faz isso, você está ajudando a prevenir o problema das drogas antes que aconteça. Se você é jovem, quando você ajuda a seus amigos a superar-se nos momentos difíceis através de bons conselhos e compreensão, o estar ajudando a evadir as drogas. Se você trabalha com adolescentes, quando lhes provê atividades esportivas, enriquecedoras, sadias, você está prevenindo o abuso das drogas.
A Prevenção está ao alcance de todos. Juntemos nossas forças e:
"VAMOS PREVENIR.
Adaylton de Almeida Conceição
A Prevenção está ao alcance de todos. Juntemos nossas forças e:
"VAMOS PREVENIR.
Adaylton de Almeida Conceição
Por isso – desde a prevenção – é que se tenta trabalhar no fortalecimento da família (...).
Também é certo que, ainda que nos propomos a fortalecer os vínculos que devem existir entre os membros de uma família, temos que destacar o fato de que na atualidade, em nosso país, encontramos a uma grande maioria de jovens com famílias desestruturadas ou diretamente abandonadas.
Ao descobrir a adição do seu filho adolescente, é comum que os pais, depois de alguma tentativa frustrada para que o mesmo deixe as drogas, se aproximam para consultar a um médico ou a um centro de atenção de adições para que " cure o seu filho ", e o "tire das drogas".
Dizem, que querem que seu filho se cure, porém isso é uma verdade parcial; porque simplesmente o que desejam é que seu filho deixe de usar drogas, porém não pensam em revisar toda a cultura enferma que há por trás da conduta aditiva e que envolve a toda família.
A teoria psicosocial e as psicoterapias modernas sustentam que para curar um problema, primeiro deve ser tratada a causa, muito mais que os sintomas. Ainda que no caso do uso de drogas os dois sejam tratados simultaneamente, a causa, continua sendo o ponto principal do tratamento.
O tratamento de adolescentes e jovens com problemas de dependência de drogas, não terá soluções reais se no processo não for incluído os pais e irmãos, e em outros casos a parentes e amigos que participam da vida grupal
Ao descobrir a adição do seu filho adolescente, é comum que os pais, depois de alguma tentativa frustrada para que o mesmo deixe as drogas, se aproximam para consultar a um médico ou a um centro de atenção de adições para que " cure o seu filho ", e o "tire das drogas".
Dizem, que querem que seu filho se cure, porém isso é uma verdade parcial; porque simplesmente o que desejam é que seu filho deixe de usar drogas, porém não pensam em revisar toda a cultura enferma que há por trás da conduta aditiva e que envolve a toda família.
A teoria psicosocial e as psicoterapias modernas sustentam que para curar um problema, primeiro deve ser tratada a causa, muito mais que os sintomas. Ainda que no caso do uso de drogas os dois sejam tratados simultaneamente, a causa, continua sendo o ponto principal do tratamento.
O tratamento de adolescentes e jovens com problemas de dependência de drogas, não terá soluções reais se no processo não for incluído os pais e irmãos, e em outros casos a parentes e amigos que participam da vida grupal
FORTALECENDO A FAMILIA
O ponto de vista da família como instituição, nos mostra, à luz das estatísticas, que quando ela está unida, organizada e comunicada com papeis bem definidos, é uma fonte de proteção dos filhos para evitar condutas distorcidas.
A FAMILIA EM RELAÇÃO ÀS DROGAS
O estudo das famílias é de fundamental importância para compreender por que uma pessoa toma drogas e com que propósito. Em suma, sua razão de ser um adito. Todos os sintomas tanto primitivos como recentes, num consumidor de drogas, geralmente se desenvolvem a partir de transtorno oriundos das relações familiares do individuo.
Nosso ponto de vista central é que a personalidade aditiva emerge dentro de um contexto familiar e social, caracterizado pelos modelos de interação orientados por uma ideologia que o Dr. E. Kalina denomina: " a existência tóxica".
Uma existência tóxica é uma vida contaminada, uma forma de viver que para sustentar-se necessita nutrir-se daquilo que a destrói. Dizemos que todo dependente de droga é um ser que de uma forma lenta ou rápida se autodestrói.
Portanto, podemos falar de uma configuração familiar pré-aditiva, sem que isso nos leve a desconhecer os elementos particulares de cada situação clínica, e de cada contexto socioeconômico, nem sua etiologia sócio-político.
Descobrir a adição do filho, certamente desata uma síndrome de alarme na família. A descoberta desencadeia certas mudanças no sistema com características próprias em cada grupo familiar. Há famílias que fecham filas em volta do adito; nas mais patológicas, geralmente o expulsam da casa. Animo-me a dizer que essa ultima é a modalidade que muitos preferem, tanto por famílias como por escolas, e a sociedade em geral.
Nosso ponto de vista central é que a personalidade aditiva emerge dentro de um contexto familiar e social, caracterizado pelos modelos de interação orientados por uma ideologia que o Dr. E. Kalina denomina: " a existência tóxica".
Uma existência tóxica é uma vida contaminada, uma forma de viver que para sustentar-se necessita nutrir-se daquilo que a destrói. Dizemos que todo dependente de droga é um ser que de uma forma lenta ou rápida se autodestrói.
Portanto, podemos falar de uma configuração familiar pré-aditiva, sem que isso nos leve a desconhecer os elementos particulares de cada situação clínica, e de cada contexto socioeconômico, nem sua etiologia sócio-político.
Descobrir a adição do filho, certamente desata uma síndrome de alarme na família. A descoberta desencadeia certas mudanças no sistema com características próprias em cada grupo familiar. Há famílias que fecham filas em volta do adito; nas mais patológicas, geralmente o expulsam da casa. Animo-me a dizer que essa ultima é a modalidade que muitos preferem, tanto por famílias como por escolas, e a sociedade em geral.
A FAMILIA E A PREVENÇÃO
A "placenta familiar" é o meio vincular onde o filho se humaniza e cresce satisfazendo suas necessidades possuindo um continente físico efetivo que se converte no metabolisador emocional de suas angustias e emoções.
Desta primeira "rede humana" aprende o amor, o ódio, a agressão, a ternura, como se defender, com quem identificar-se e como se sobrepor às frustrações, etc.
Definimos a família como a pessoa ou pessoas que normalmente vive com as crianças e está relacionada com sua educação; as pessoas que se preocupam pelo seu crescimento até a adolescência e que vivem sob o mesmo teto. O padrão que até hoje domina em nossa cultura é a Família Nuclear de dois pais, um ou mais filhos, com ou sem tias, tios, primos e avós.
A realidade da vida familiar, sempre foi muito mais complexa do que sugere o modelo apresentado. Algumas mudanças que complicam este retrato são a mobilidade geográfica, que reduziu o contato com a família, o maior numero de mulheres que necessitam trabalhar fora do lar, o aumento do índice de divórcios e novo casamento, e o numero reduzido de crianças. Mas, quase todas as crianças vivem com adultos que se preocupam por eles.
Apesar de que cada situação familiar é única, hoje em nosso país há um padrão comum dos problemas que enfrentam pais e adolescente: o abuso de drogas e suas conseqüências. Os adolescentes, rara vez se apresentam a seus pais ou a outro adulto, incluindo psicólogos ou psiquiatras, dizendo: "Tenho um problema com as drogas e necessito ajuda". (...)
Desta primeira "rede humana" aprende o amor, o ódio, a agressão, a ternura, como se defender, com quem identificar-se e como se sobrepor às frustrações, etc.
Definimos a família como a pessoa ou pessoas que normalmente vive com as crianças e está relacionada com sua educação; as pessoas que se preocupam pelo seu crescimento até a adolescência e que vivem sob o mesmo teto. O padrão que até hoje domina em nossa cultura é a Família Nuclear de dois pais, um ou mais filhos, com ou sem tias, tios, primos e avós.
A realidade da vida familiar, sempre foi muito mais complexa do que sugere o modelo apresentado. Algumas mudanças que complicam este retrato são a mobilidade geográfica, que reduziu o contato com a família, o maior numero de mulheres que necessitam trabalhar fora do lar, o aumento do índice de divórcios e novo casamento, e o numero reduzido de crianças. Mas, quase todas as crianças vivem com adultos que se preocupam por eles.
Apesar de que cada situação familiar é única, hoje em nosso país há um padrão comum dos problemas que enfrentam pais e adolescente: o abuso de drogas e suas conseqüências. Os adolescentes, rara vez se apresentam a seus pais ou a outro adulto, incluindo psicólogos ou psiquiatras, dizendo: "Tenho um problema com as drogas e necessito ajuda". (...)
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